Festa irretocável, enfim.
domingo, 14 de novembro de 2010
Vitória do tchananan
Festa irretocável, enfim.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Pensamentos avulsos
- Adriano levando o lado brahmeiro muito a sério. Luiz Fabiano machucado. Kaká em fase ruim, falando até palavrão. Quem está acreditando na Copa aí levanta a mão. Alguém? Que fase das nossas estrelinhas… Que Lúcio e Júlio César segurem a bomba.
- Na Copa dos EUA, Dunga capitão e campeão, erguendo a taça e berrando a mesma palavra feia que Kaká soltou ao ser substituído na desclassificação do Real Madrid na Champions. Esse era o Dunga modelo 94. O modelo 2010 é ranzinha, tem rabo preso com a “chefia” e se veste mal pra caramba. Tipinhos de rabo preso com chefe me embrulham o estômago.
- Ronaldinho Gaúcho, preferido por alguns, preterido por “quem manda” na seleção brasileira. Já deu né? Ele não vai pra Copa. O pessoal não quer ele lá. Só não vale simplificar as coisas em uma eventual derrota e dizer que perdeu pela sua ausência. Muitos que defendem a convocação do dentuço o fazem lembrando o “conjunto da obra”, que ele não precisa ser testado blá, blá, blá. Como costumamos ler nos propectos de investimentos, “rendimentos passados não são garantia de rendimentos futuros”. Risco por risco, deixa o técnico fazer o que mandam ele fazer…
“Palmeiras atrás de Ronaldinho Gaúcho”. Eu fiquei DIAS rindo dessa…
- Já recebi a planilha do bolão da Copa para preencher. O coração (sim, eu tenho um, pouco uso) tem que ficar de fora. Afinal, eles ganham milhões, eu vou brigar por uns trocados.
- Santos 10 x 0 Naviraiense. Um real para mulheres e crianças na arquibancada. Aí, para o jogo contra o Palmeiras, 60 reais. Aham…
Tema da vitória: Pra Frente Brasil – Angra.
domingo, 7 de março de 2010
É pra você, mulher
Futebol – E foi aos 44 do segundo tempo que o Santos empatou o jogo contra a Lusa (em Canindé, como diria um amigo meu) e manteve a série invicta de 11 partidas. O pessoal aqui da BS – Baixada Santista - está animadíssimo. O Corinthians, sem Ronaldo, que foi ser jurado no BBB (????????), venceu o São Caetano por 1 x 0. Ainda teremos amanhã Palmeiras x Sertãozinho, jogo de sábado adiado pela chuva. Pra completar a rodada dos 4 grandes, o São Paulo vai ganhando por 2 x 0 da Ponte Preta, lá em Ponte, digo, em Campinas, em jogo que começou às 19:30.
Tênis – neste fim de semana tivemos a definição dos países que passam às quartas-de-final da Copa Davis. Resultados:
Espanha 4 x 1 Suiça. Sem Nadal ou Federer no confronto. De qualquer forma, hoje em dia é difícil bater a armada espanhola. Tem muito tenista de primeira linha. Almagro, Ferrer, Robredo e Granollers garantiram a classificação.
França 4 x 1 Alemanha. A França e seus mosqueteiros (Tsonga, Monfils, Benneteau, Llodra) também são um time de respeito.
Rússia 3 x 2 India. O forte da India é mesmo a dupla Bhupathi/Paes (e só), era esperado que os russos comandados por Youzhny dessem conta do recado.
Suécia 2 x 3 Argentina. A garra argentina falou mais alto. Com Nalbandian como “arma surpresa” (estava contundido e viajou para a Suécia em cima da hora), os hermanos foram brilhantes e derrotaram a turma comandada pelo excelente Soderling. Isso sem seus principais tenistas, Monaco e Del Potro. Aplausos.
Croácia 5 x 0 Equador. Os grandões Cilic e Karlovic não deram chance à família Lapentti.
Sérvia 3 x 2 EUA. Djokovic e cia mostraram quem manda. O número 2 do mundo comandou a vitória da Sérvia sobre o outrora poderoso tênis americano. Curiosidade: a dupla americana que jogou não foram os irmãos Bryan (número 1 do ranking), mas Bob Bryan e John Isner. O outro irmão Bryan comeu um frango com curry que não caiu bem (será que não foi no restaurante da família Djokovic?? Hummmm…)
Bélgica 1 x 4 República Tcheca. O belo e a fera, Berdych e Stepanek, despacharam os irmãos Rochus.
Chile 2 x 1 Israel. Pois é, obrigaram os chilenos a cumprir o compromisso na Davis, com terremoto e tudo. E eles, guerreiros, são capazes de ganhar, liderados por Massu e Gonzalez. Mas custava adiar esse confronto? Faltou um pouquinho de noção à ITF, não? Concordo com Meligeni. Os dois últimos jogos acontecem amanhã.
Meu post acabaria aqui, mas eu recebi um e-mail irresistível, que não dá pra não comentar. Fica como uma homenagem antecipada ao Dia Internacional da Mulher, comemorado amanhã, em especial para aquelas que não gostam de esportes e principalmente futebol, pois aqui respeitamos todas as preferências. Meus comentários em rosa, bem menininha.
“Recomendações para a Copa do Mundo 2010
Queridas esposas, noivas, namoradas. E também parceiras, amantes, concubinas, filhas, sobrinhas, primas, tias, madrinhas, amigas, colegas ou qualquer criatura do sexo feminino (ele deve querer dizer “qualquer criatura do sexo feminino que não goste de futebol”. Ok, um pequeno deslize, perdoado):
Divulgamos aqui com 5 meses de antecedência as 13 regras para a Copa de 2010 para que vocês leiam com calma, entendam e não encham nossos sacos.
1. Durante a Copa, a televisão é minha. 100% minha, o tempo todo. Sem exceção nem discussão. Estarei cagando e andando se for o último capítulo da novela das 8, onde Helena, a mocinha, comete suicídio. Se você dirigir o olhar ao controle remoto, uma vez sequer, você perderá... Perderá os olhos! (Não haverá jogos no horário da novela das 8, é só olhar o fuso da África do Sul. Sua novela está salva. No máximo, o conflito vai acontecer se estiver passando uma mesa redonda).
2. De 9 de junho a 9 de julho de 2010, você deverá ler a seção de esportes do jornal de modo a se manter a par do que se passa com respeito à Copa do Mundo, o que lhe permitirá participar das conversas. Caso não proceda desta maneira, você será olhada com maus olhos, ou mesmo ignorada por completo. Neste caso, não reclame por não receber nenhuma atenção. (Desde quando os homens prestam atenção em conversa de mulher, sendo futebol ou não?).
3. Se você precisar passar em frente à TV durante um jogo, eu não me importarei, contanto que o faça rastejando e sem me distrair. Se você decidir se exibir nua diante de mim à frente da TV, esteja certa de vestir-se imediatamente em seguida pois, se pegar um resfriado, não terei tempo de levá- la ao médico nem de lhe dar assistência durante o mês da Copa. (Meninas, já que eles não querem lhes ver nem peladas, aproveitem pra largar a dieta, sofrer pra ficar magra só para outras mulheres repararem não faz sentido).
4. Durante os jogos eu estarei cego, surdo e mudo, exceto nos casos em que eu solicite que me encha o copo de cerveja, ou peça a você a gentileza de me trazer algo para comer. Você estará fora de si se achar que irei ouví-la, abrir a porta, atender o telefone ou pegar nosso bebê que possa ter caído no chão... não vai acontecer. (Levar algo pra ele comer? HAHAHAHAHAHAHA, claro… Acho que ele vai ficar cego, surdo, mudo e faminto. Não caiam nessa!).
5. É uma boa idéia manter pelo menos 2 caixas de cerveja na geladeira o tempo todo, bem como razoável variedade de tira-gostos e belisquetes. E por favor não faça cara feia para meus amigos quando eles vierem assistir jogo aqui em casa comigo. Como recompensa, você estará autorizada a transar comigo e assistir TV entre meia-noite e seis da manhã, a menos, é claro, que neste período haja a reprise de algum jogo que eu tenha perdido durante o dia (“Autorizada a transar comigo”? Amiga, você não vai querer correr o risco de ouvir “chuta a p**** dessa bola, Kaká!” no meio do ato sexual…).
6. Por favor, por favor, por favor! Se me vir contrariado por algum time de meu interesse estar perdendo, NÃO DIGA coisas como "Ah, deixa isso pra lá, é só um jogo..." ou "Não se preocupe, eles vão ganhar da próxima vez..." Se disser coisas desse tipo, só me deixará com mais raiva e vou amá-la menos. Lembre-se, você jamais saberá mais sobre futebol do que eu e suas supostas "palavras de encorajamento" apenas nos levarão à separação ou ao divórcio (“Você jamais saberá mais sobre futebol do que eu”. Que pretensão… Todo mundo sabe que a maioria dos homens que “entendem” de futebol só repetem o que os comentaristas dizem nos programas de TV. Já ouvi cara repetir as palavras exatas, fingindo conhecimento. É que eles nem imaginam que eu assisto a tudo e sei que eles estão plagiando…).
7. Você será bem-vinda a sentar-se comigo para assistir um jogo e poderá me dirigir a palavra no intervalo entre o primeiro e o segundo tempos, mas apenas durante os comerciais e (importante) APENAS se o placar do primeiro tempo tiver sido do meu agrado. Favor notar também que especifiquei UM jogo, ou seja, não use a Copa do Mundo como pretexto mimoso para aquela coisa de "passarmos tempo juntos" (Não se preocupe, amiga, os seus colegas do trabalho também vão querer ver as partidas e vão te chamar. É uma ótima chance de babar naquele gato do escritório ou nos jogadores bonitões sem o mala do seu marido por perto…).
8. Os repetecos dos gols são muito importantes. Não importa se já vi o gol ou não, eu quero ver novamente. Muitas vezes (Repetição é fundamental pra decorar tudo o que os comentaristas dizem. Ver item 6).
9. Não incomode a mim ou meus amigos perguntando sobre as regras do futebol. Olhe o jogo e finja que está entendendo. Pule e grite quando eu pular e gritar. Nunca, jamais pergunte como funciona a regra do IMPEDIMENTO. Você não tem capacidade intelectual para entender (Se ele tentar explicar o impedimento e falar em “último homem”, pode gargalhar na cara dele. Eu garanto. Quanto a capacidade intelectual, isso é futebol, não xadrez. Qualquer um entende, desde que se interesse. Não é a toda que é o esporte mais popular do planeta…).
10. Avise suas amigas para no mês da Copa não darem à luz nenhum neném, ou mesmo promover qualquer festa de criança ou eventos de qualquer natureza que exijam minha presença, porque:
a) Eu não vou;
b) Eu não vou, e
c) Eu não vou (Nossa, tenho certeza que as crianças vão chorar de tristeza…E para os pais, melhor, festa com menos convidados é mais barata).
11. No entanto, se um amigo meu nos convidar para ir à casa dele num domingo para assistir um jogo, iremos de imediato (Coitada da mulher desse amigo… combine algo com ela para tirá-la de casa).
12. As resenhas e debates esportivos da Copa toda noite na TV são tão importantes quanto os jogos propriamente ditos. Que nem lhe passe pela cabeça dizer coisas como "Mas você já viu isso tudo... porque não muda para um canal que todos possamos assistir?" Se disser algo assim, saiba desde já que a resposta será: "Veja a regra nº 1 dessa lista" (“It’s repetition”… ver itens 6 e 8).
13. E, finalizando, por favor poupe-me de expressões como "Graças a Deus que só tem Copa do Mundo de quatro em quatro anos". Estou imune a manifestações ridículas dessa natureza, pois após a Copa vêm a Liga dos Campeões, a Sub20, o campeonato italiano, o espanhol, o alemão, o brasileirão, o cariocão, o paulistão, o mineirão, etc. (Pois é, se você ainda não está acostumada, demorou hein?).
Grato por sua cooperação,
Assinado:
Todos os Homens do Mundo!!! (todos que gostam de futebol, claro)”
Meninas, tentei ajudar, a meu modo, vocês que não curtem esportes e com frequência se irritam com o assunto. Relaxem. Cada um na sua. Vocês certamente vão arrumar coisas interessantes para fazer durante a Copa, só não criem caso por causa disso. E quem sabe vocês até curtem o momento e entram na torcida? Nunca digam nunca.
Quanto a mim… bem, estou contando os dias para a Copa! E que na hora dos jogos (TODOS, não precisa ser do Brasil), espero que ninguém, homem ou mulher, encha o meu saco! Amém.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Você tira o chapéu?
Neymar dá um chapéu em Chicão, com a bola parada. Os santistas acham graça, os corinthianos ficam bravos. Se fosse um jogador do Timão fazendo isso diante de um santista, o pessoal da Vila ia ficar p… da vida, a Fiel iria ao delírio.
No meio desta polêmica, há o “torcedor” imbecil e cego, daquele que bate nos outros em porta de estádio e não suporta tiração de sarro sem partir pra ignorância física ou verbal (mas adoram tirar sarro, pois no caso deles, sempre estão com a razão). Há o torcedor médio, para quem ainda resta um pouco de sanidade e coerência e consegue analisar o lance à luz de alguma verdade. E, acredite, deve haver aquele torcedor isento, que faz sua análise da jogada sem nenhuma influência do coração (alguns comentaristas esportivos, talvez? Só vejo neles esta possibilidade).
Minha opinião, de admiradora de esportes e distante de qualquer bloco torcedor : a brincadeirinha de Neymar foi desnecessária, ponto. Assim como é desnecessária a discussão em torno dela. Muito barulho por nada. Até porque, é só mudar o time que os argumentos mudam todos de lado. Um tenta convencer o outro, impor a sua verdade, a conversa não sai do lugar e, não raras vezes, um fica bravo com o outro. Por 5 minutos, que seja, mas fica.
Este é meu pensamento, mas se você tem outro, ok. Perfeitamente respeitável. No entanto, não me empurre suas paixões, obrigada.
Deixo aqui um adendo que, diriam os corinthianos, será a favor do santista. Essa mania de politicamente correto um dia acaba com a humanidade. O mundo ficará tão chato que vamos todos nos matar de tédio.
Neymar e sua tropa: será quem ninguém consegue dar sua opinião sem tentar ser o guardião da verdade?
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Ninguém me convence
Faz um tempão que eu morro de vontade de ir a um estádio de futebol, ver um jogo ao vivo. Eu até que frequento estádios – para ver Pearl Jam, U2, Madonna, Aerosmith… Minha única oportunidade de ver futebol, por assim dizer, foi aqui na Vila Belmiro, um jogo sem graça do Santos contra o Coritiba, há pelo menos uns 8 anos (Robert ainda jogava no Peixe, lembram?).
Eu sei bem que ouvir um CD do artista ou ver o show pela televisão não é a mesma coisa que ver o show ao vivo. Creio que em um espetáculo esportivo tenhamos esta mesma relação de valor. Há coisas que você só sente in loco, coisas que você vê de uma forma diferente, e invariavelmente, melhor e com mais emoção.
Não sou boba de dizer que espetáculos de rock/pop são os eventos mais tranquilos do mundo, mas nunca passei sufoco nenhum. Afinal, pense, não tem ninguém contra ninguém em um show, pelo contrário, todos estão lá aproximados pela admiração a uma entidade comum – o cantor, a banda, a estrela.
Infelizmente, para alguns marginais, o jogo de futebol deixou há muito de ser um espetáculo esportivo para ser um ringue, um palco para exibicionismo de um suposto “poder” e “superioridade”, uma forma de dar vazão à testosterona não gasta por não precisarmos mais caçar para viver.
Rivalidade deveria durar o tempo exato do evento. Depois disso, lamentar-se com exagero e reações exarcebadas não passa de uma forma bem idiota de preencher o vazio em vidas de pobres coitados que se acham melhores porque torcem para o time A ou B. Triste? Não, a minha fase de tristeza passou faz tempo. Raiva, sim. Veja só você, estas pragas conseguem espalhar raiva por todo o canto…
E fica pior ainda quando você lembra que nenhum destes marginais será punido. Todos estarão lá, berrando, agredindo e matando, em um ciclo que nunca se encerra, sem que ninguém os aborreça. Copa do Mundo? Olimpíada? Vocês estão brincando comigo, me fazendo engolir esse sonho goela abaixo. Eu não acredito neste sonho, eu não consigo ver como isso vai dar certo. Espero por um milagre de competência, eficiência, organização e punição severa dos malfeitores, ou algo que varra esses elementos malditos das torcidas, assim como os políticos corruptos e ineptos, como um tsunami, e leve para um mar sem fundo.
Ainda assim, talvez um dia eu me arrisque no setor das cadeiras, intimidada, pequena, cercada por uma grande maioria também medrosa, que leva filhos e família meio que com o coração na mão. Nós todos, dominados por meia dúzia de pessoas (com a força de 1 milhão) que se odeiam só porque escolheram times diferentes para torcer – se é que esses imbecis se lembram que está ocorrendo um jogo de futebol.
Que ódio.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Aqui é o meu país…
Bellucci foi campeão do ATP de Santiago.
Alguém viu? Você viu? Só se foi por algum streaming, placar ao vivo ou blog na internet. O canal BandSports, que detinha os direitos do torneio e transmitiu todos os jogos ao vivo durante a semana, teve o “azar” de também comprar a transmissão do SuperBowl, com horários conflitantes. Claro, acabou optando pelo segundo evento, com muito mais cifras envolvidas, imagino. E eu fico aqui pensando… Isso acontece em outros lugares? O pessoal deixa de transmitir um evento com um atleta da casa na final pra passar outro evento (grandioso, é verdade), mas que não representa nada pra 90% da população local? Não que o tênis tenha tanta popularidade e nem era uma final de Grand Slam, mas… é um atleta brasileiro, isto não significa nada? A semana inteira os jogos foram transmitidos e a final, não. E nem quando terminou o jogo nos EUA, quando achei que eles pelo menos preparariam um compacto com os melhores momentos da decisão no Chile, nada apareceu.
Eu vi alguns momentos do SuperBowl mas eu também queria ver o jogo do Bellucci. Nem de longe eu sigo qualquer filosofia patriótica e sei que a decisão da emissora envolve muito mais do que imagina a minha vã filosofia.
Mas fiquei confusa. Isso é normal, está tudo certo? Estou exagerando em me sentir meio idiota?
Tema da vitória: Meu País – Ivan Lins.
sábado, 26 de setembro de 2009
Convença-me
Acreditar que a candidatura da cidade para sediar os Jogos Olímpicos daqui a 7 anos é uma benção para a cidade, o país e o planeta é uma das minhas tentativas desesperadas de limpar um pouco do cinismo da minha alma.
Mas está difícil.
Toda vez que o Rio se candidata – e nem adianta São Paulo ou outra cidade tentar, vejam, o Rio é a cidade-símbolo do Brasil lá no gringo – a primeira promessa que empolga os ouvidos incautos é de que a estrutura criada para os jogos vai beneficiar a própria cidade. Muitos empregos gerados, muitos investimentos em áreas hoje deixadas de lado, mais turismo ainda para a cidade, enfim, uma grande oportunidade de resolver os problemas cariocas (e por extensão, alguns dos problemas brasileiros).
O interessante é que, se não formos escolhidos, todos estes lindos planos voltam para as gavetas empoeiradas de seus idealizadores e financiadores.
O bem-estar da população, a infra-estrutura de transportes e hotéis, a segurança pública, o trânsito, o desenvolvimento do esporte com papel social e também para criar uma geração de atletas de ponta, tudo isso só será possível se houver uma evento de grande porte, em que todo o planeta esteja com suas câmeras voltadas para cá, para que não passemos vergonha. Fazer pelo bem da cidade, das pessoas e do país, não vale a pena.
Futuramente, alguns dos governantes que participam desta empreitada poderão ter um parágrafo especial na Wikipedia, que dirá “foram os primeiros a trazer uma Copa do Mundo para o Brasil e uma Olimpíada para o Rio”. No caso dos Jogos Olímpicos, a primeira na América do Sul. Mas não deixo de pensar que boa parte destes políticos está esfregando as mãos de prazer, pensando nos milhões de reais que irá ganhar em conchavos, arranjos, subornos, superfaturamentos e tudo o mais. A ideia é que toda a despesa seja divulgada na internet. Já fazem isso com os gastos de Brasília e já pudemos perceber que todos os que usaram o dinheiro público de forma errada foram sumariamente punidos, não? Não.
Veja, eu nasci aqui há 27 anos, eu conheço o país. Precisa de um trabalho de marketing quase milagroso para me convencer que o fato de dois eventos esportivos de grande porte ocorrendo no Brasil vão ter a capacidade de mudar a MORAL do brasileiro médio (ou medíocre).
Eu não tenho esperança alguma de ver um jogo da Copa do Mundo de 2014 no estádio. Porque a minha experiência diz que haverá um site na internet que funcionará de maneira precária na venda dos ingressos, que teremos filas quilométricas nos pontos de venda à procura de entradas, que acabarão antes que metade da fila seja saciada. Que aqueles que madrugarem nessas filas ou os apadrinhados de patrocinadores e meia dúzia de famosos é que terão fácil acesso aos jogos, não aquele brasileiro que juntou o dinheiro suado para comprar um lugar na pior parte do estádio, que é a mais barata. Ele bem que vai tentar comprar de um cambista, mas vai ser o triplo do preço. Será que pelo menos a infra-estrutura dos estádios vai melhorar? E o mais importante, vai permanecer? Ou ser destruída pela primeira invasão de torcedores “organizados”, que agridem e quebram porque sabem que jamais serão punidos?
Pelo que tenho lido a respeito, parece que existe uma simpatia pela candidatura carioca junto aos membros do COI, que ignoraram a questão da segurança. Bem, o caos da segurança em terras cariocas deve ser invenção da TV, ou então eles consideram que as ruas e favelas intimidadas por traficantes são um ponto até positivo. Digamos que a pobreza e a rusticidade, de certa forma, encantam os gringos, tem todo um lirismo envolvido, uma coisa meio “bom selvagem” de Rousseau (uma vez colônia, sempre colônia), como se ser pobre e morar na favela fosse belo, fácil e até romântico. Coisa que jamais veríamos em um cidade rica, estruturada e chata.
Ou os membros do COI deixaram todo o seu juízo em algum consultório dentário, ou a situação é ainda pior do que a desenhada pelo meu cinismo : não seria nada mal para o Comitê ter uma Olimpíada por aqui. Eles poderiam alegar que estão democratizando o esporte, trazendo seu evento mais importante para uma cidade do Terceiro Mundo, uma cidade conhecida como “Maravilhosa”, cheia de belezas naturais, famosa ao redor do mundo pela alegria, pelas festas, pelas mulheres com roupas exíguas (turismo sexual, esse sim deve estar bem preparado), pela Bossa Nova, pelo desejo da maior parte da população de sediar o evento e se igualar às grandes Seul, Barcelona, Atlanta, Atenas, Sydney e Pequim, para falar apenas das que eu assisti. Como eu só penso em roubalheira e coisa ruim, creio que até o Comitê pode estar entrando na dança dos dólares. Não estou acusando ninguém, mas eu tenho o direito de pensar isso (27 anos, lembram?).
Olha, nada mais me resta a não ser torcer para que tudo dê certo. Que a Copa do Mundo seja um sucesso e cale a minha boca cínica, que, caso seja escolhido, o Rio faça uma Olimpíada linda e histórica. Que, por um passe de mágica e alguns milhões investidos, todos os nossos problemas e entraves ao desenvolvimento sejam resolvidos em seis, sete anos, ainda que existam e resistam por mais de quinhentos.
Quem sabe…
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Falando sério agora
Hoje comentamos entre amigos a situação da Argentina nas eliminatórias, as piadas e as brincadeiras infinitas feitas no Brasil e até avaliamos o quanto isso extrapola o futebol e se torna uma espécie de xenofobia. Tirar sarro é coisa que qualquer um faz quando o time do outro perde, mas quando isso vira ódio, não faz bem pra ninguém. E também não faz muito sentido, pois como bem disse o PVC no texto que coloquei aqui, são povos com reação bem parecida quando ganham e quando perdem.
Além disso, discutimos sobre o quanto seria “bom” para um país de Terceiro Mundo, em situação econômica complicada e cheio de problemas para resolver, se não houvesse mais o “ópio do povo” (ou do corno, como diriam Os Malvados). Sem futebol vencedor, sem Copa do Mundo, a realidade aparece, as pessoas podem acordar de um sonho que nem é delas, na verdade. Podem pensar em assuntos mais importantes – porque, francamente, que diferença faz na sua vida quando seu time ganha ou perde? E a Seleção? É apenas um lazer, faz parte da vida, não deveria ser A sua vida.
Mas…Monty Python nos ensina a sempre olhar o lado bom da vida, e se no futebol a situação não é das melhores (mas na minha opinião, eles se classificam sim), pelo menos os argentinos podem comemorar um semi-finalista no US Open, Juan Martin del Potro – e eu torço por ele (perdão, Roger!). Enquanto que em terras brasileiras, há muito tempo que o povão mal sabe que o tênis existe. Viu? A vida é bela, paz e amor, vamos todos dar as mãos e cantar “Heal The World*” do saudoso MJ.
* Essa música é tão linda… snif…